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sábado, 3 de outubro de 2026

Eduardo da Fonte, Raquel Lyra e Aglailson Victor reúnem multidão em caminhada pelas ruas de Vitória de Santo Antão

Candidatos percorreram as ruas do município ao lado de Aglailson Victor e Tulio Gadêlha

O candidato ao Senado Eduardo da Fonte (PP/UP) e a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) participaram, nesta sexta-feira (2), de uma caminhada pelas ruas de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata de Pernambuco. O ato reuniu uma multidão e contou também com as presenças do candidato a deputado estadual Aglailson Victor (PSD) e do candidato ao Senado Tulio Gadêlha (PSD).

Durante o percurso, Eduardo e Raquel caminharam junto à população e conversaram com moradores e comerciantes. Vitória de Santo Antão já havia recebido agendas conjuntas do grupo durante a campanha, inclusive com a participação de Aglailson Victor e Tulio Gadêlha. 

Eduardo destacou a parceria construída com Raquel e afirmou que pretende ampliar, no Senado, a articulação em Brasília em favor dos municípios pernambucanos. “Chegamos à reta final dessa caminhada com muita gratidão por tudo o que vivemos em Pernambuco. Quero, ao lado da governadora Raquel Lyra, trabalhar no Senado para buscar ainda mais recursos e investimentos para Vitória, para a Zona da Mata e para todo o nosso estado”, afirmou Eduardo da Fonte.



sexta-feira, 2 de outubro de 2026


Flávio Bolsonaro (PL-RJ) herdou o poderoso sobrenome e o capital político do pai, embora não o mesmo prestígio que ajudou Jair Bolsonaro a impulsionar a direita brasileira. No entanto, este senador discreto desafia o veterano Lula (PT) voto a voto na corrida presidencial.

O senador, de 45 anos, era pouco conhecido a nível nacional antes de seu pai, preso por tentar aplicar um golpe de Estado, indicá-lo como candidato à Presidência.

Antes disso, ele não demonstrava nenhuma ambição de seguir os passos do pai.

Embora tenha conduzido uma campanha discreta inclusive marcada por uma investigação sobre suspeita de corrupção, a marca Bolsonaro foi suficiente para colocá-lo rapidamente em um empate técnico nas pesquisas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"É difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé", reconheceu Flávio em um evento no Rio de Janeiro.

Ele afirma que seu pai sempre será sua bússola, mas se descreve como um Bolsonaro "mais moderado".

Seu semblante sereno contrasta não apenas com o temperamento explosivo de Jair Bolsonaro, mas também com o de outros líderes da direita que ascenderam ao poder na região, como o argentino Javier Milei.

Para muitos apoiadores de Bolsonaro, seu status de filho justifica o voto nele.

"Eu gostaria de ter Jair nas urnas. Não tem Jair, vou com Flávio", disse à AFP Marco Antonio da Rosa, um estudante de Direito de 21 anos, em um evento de campanha no Rio.

Lágrimas e fé 

Nascido no estado do Rio de Janeiro, Flávio é o mais velho dos cinco filhos do ex-presidente e o que mais se assemelha a ele fisicamente.

Ele costuma usar paletó e óculos de grau, embora durante a campanha eleitoral tenha vestido frequentemente a camisa da Seleção Brasileira, assim como seu pai.

Em vídeos online, ele se emociona ao falar sobre a prisão domiciliar do pai e protesta energicamente contra o que considera perseguição judicial.

Jair Bolsonaro cumpre pena de mais de 27 anos por planejar um golpe de Estado, após perder por pouco as eleições de 2022 para Lula.

Advogado de formação, Flávio tornou-se deputado estadual pelo Rio de Janeiro aos 21 anos e senador aos 37.

Em um vídeo gravado em sua casa, sua esposa Fernanda, dentista, atribui a ele o fato de ser mais dócil que o pai e brinca: "Eu reeduquei ele".

Pai de duas filhas, ele cultiva a imagem de um homem devoto.

Nos últimos dias, ele precisou vir a público para desmentir uma informação falsa que sugeria sua intenção de retirar o título de padroeira do Brasil da Nossa Senhora de Aparecida, venerada pelos católicos.

O banqueiro e a madrasta

Durante a campanha, foi revelado que ele estava sendo investigado por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro em conexão com "Dark Horse", um filme biográfico sobre seu pai, parcialmente financiado por Daniel Vorcaro, banqueiro preso por fraude no caso do Banco Master.

Inicialmente, Flávio negou qualquer contato com Vorcaro ou ter viajado em seu jato particular, mas depois admitiu que ambas as acusações eram verdadeiras.

Ele também teve um conflito familiar com sua madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que postou um vídeo no Instagram dizendo que Flávio a havia humilhado.

Michelle aceitou um pedido de desculpas de Flávio.

Quando era deputado estadual no Rio, Flávio foi acusado de participar de um esquema para embolsar parte dos salários de seus assessores, mas o caso foi arquivado.

Fã de Bukele 

Flávio vangloriou-se por ter um bom relacionamento com o presidente americano, Donald Trump, um aliado de seu pai, após um encontro privado com o republicano na Casa Branca este ano.

Ele elogia as políticas de segurança de Nayib Bukele em El Salvador, que foram criticadas por defensores dos direitos humanos, e promete construir "muitas prisões".

Em vídeos de inteligência artificial, ele se retrata como um herói que salva o Brasil a bordo de um caça. Em um deles, seu avatar atira em traficantes de drogas em uma lancha.

Flávio afirma que, se eleito presidente, não concorrerá à reeleição.


Datafolha em Pernambuco: Lula tem 65% e Flávio Bolsonaro, 29% no segundo turno


O levantamento mostra uma oscilação positiva de Lula dentro da margem de erro, que neste caso é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Uma nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (2) revela a situação de um possível segundo turno na disputa presidencial entre eleitores de Pernambuco. Neste cenário, o presidente Lula (PT) tem 65% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) alcançou 29%.

O levantamento mostra uma oscilação positiva de Lula dentro da margem de erro, que neste caso é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Na última pesquisa, divulgada no dia 25 de setembro, Lula tinha 64%, enquanto Flávio manteve 29%.

Brancos, nulos e os eleitores que não pretendem votar em nenhum candidato se mantiveram em 6%. Indecisos se mantiveram em 1%.

Na projeção do primeiro turno, o presidente Lula tem 61% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) alcançou 25%.

O levantamento mostrou uma oscilação positiva dos candidatos dentro da margem de erro, que neste. Na última pesquisa, Lula tinha 60%, enquanto Flávio tinha 24%.

O Diario de Pernambuco divulga apenas resultados de pesquisa eleitorais, no Brasil e em Pernambuco, dos institutos: Datafolha, Ipec, Quaest e Atlas/Intel, e depois de os levantamentos terem sido levados a público pelos veículos contratantes.

Foram entrevistadas 1.204 pessoas entre 28 de setembro e 1º de outubro. Para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Os números de registro da pesquisa são PE-06822/2026 e BR-02676/2026.




Datafolha para Pernambuco: Lula tem 61% e Flávio Bolsonaro, 25% no primeiro turno

Foram entrevistadas 1.204 pessoas entre 28 de setembro e 1º de outubro; o nível de confiança da pesquisa é de 95%

 Uma nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (2) revela a situação da disputa presidencial entre eleitores de Pernambuco no primeiro turno. No estado, o presidente Lula (PT) tem 61% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) alcançou 25%.

O levantamento mostra uma oscilação positiva dos candidatos dentro da margem de erro, que neste caso é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Na última pesquisa, divulgada no dia 25 de setembro, Lula tinha 60%, enquanto Flávio tinha 24%.

Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) marcaram 3%. Ronaldo Caiado (PSD) alcançou 1%. Os demais candidatos não pontuaram.

Brancos, nulos e os eleitores que não pretendem votar em nenhum candidato somam 4% (eram 5%). Indecisos se mantiveram em 2%.

Foram entrevistadas 1.204 pessoas entre 28 de setembro e 1º de outubro e o nível de confiança é de 95%. Os números de registro da pesquisa são PE-06822/2026 e BR-02676/2026.

O Diario de Pernambuco divulga apenas resultados de pesquisa eleitorais, no Brasil e em Pernambuco, dos institutos: Datafolha, Ipec, Quaest e Atlas/Intel, e depois de os levantamentos terem sido levados a público pelos veículos contratantes.


Ministério da Saúde recorre de decisão que suspendeu auditoria em hospital ligado a marido da vice-governadora


Segundo o DenaSUS, o prazo para a resposta do hospital foi prorrogado por diversas vezes, o que resultou em 26 dias úteis disponíveis para a apresentação de uma justificativa.

O Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), vinculado ao Ministério da Saúde, ingressou com um recurso contra a decisão da Justiça Federal de Pernambuco que suspendeu os efeitos do relatório sobre supostas irregularidades na Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, no Agreste.

Em nota, o órgão afirmou que a Procuradoria Regional da União na 5ª Região foi acionada. Segundo o DenaSUS, o prazo para a resposta do hospital foi prorrogado por diversas vezes, o que resultou em 26 dias úteis disponíveis para a apresentação de uma justificativa.

Na decisão do juiz federal substituto Deivisson Manoel de Lima, da 23ª Vara Federal, uma das alegações foi o não cumprimento do prazo mínimo de 15 dias para justificativas e considerações, como orienta o Manual de Princípios, Diretrizes e Regras de Auditoria do SUS.

“No que se refere à execução financeira e à produção assistencial, foram identificados procedimentos faturados sem comprovação nos prontuários e armazenamento inadequado da farmácia oncológica, entre outras irregularidades”, diz um trecho do comunicado.

O órgão informou ainda que tem o papel de atuar na fiscalização da aplicação de recursos federais na saúde e garantir a qualidade dos serviços prestados à população.

Relatório do DenaSUS

A auditoria na Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro assinada pelo diretor do DenaSUS, Rafael Bruxellas Parra, identificou irregularidades na avaliação do período entre 1º de janeiro de 2023 e 31 de julho de 2025.

No relatório enviado ao Ministério Público Federal de Pernambuco (MPF-PE), foram apontadas pendências documentais relativas a autorizações de procedimentos nas áreas de oncologia e hemodiálise. 

O documento também apontou questões estruturais, incluindo uma suposta disparidade entre o número de leitos real e a quantidade apresentada pela instituição, além de questões sobre o uso de termos de credenciamento como modelo de contratação.


Média de pesquisas põe Lula a 5,6 pontos da vitória no 1º turno

Levantamento do Congresso em Foco com as pesquisas mais recentes de sete institutos estima Lula com 44,4% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 40,2%.

Na reta final do primeiro turno, Lula(PT) está a 5,6 pontos percentuais dos 50% dos votos válidos, segundo média calculada pelo Congresso em Foco a partir das pesquisas mais recentes de sete institutos. Se o comparecimento e a proporção de votos válidos de 2022 se repetissem, essa distância corresponderia a cerca de 6,7 milhões de votos.

Flávio Bolsonaro (PL) aparece mais longe de uma vitória no primeiro turno. Recalculados apenas sobre os votos válidos, os levantamentos dão, em média, 44,4% a Lula e 40,2% a Flávio. O senador precisaria avançar 9,8 pontos, o equivalente a aproximadamente 11,7 milhões de votos nas mesmas condições.

O levantamento considera a pesquisa mais recente de Datafolha, Indexa, Meio/Ideia, AtlasIntel, Quaest, Nexus e Real Time Big Data, divulgadas entre 24 de setembro e 1º de outubro. Cada instituto entrou uma única vez e teve o mesmo peso.

Antes da conversão para votos válidos, Lula registra média de 41,1%, contra 37,2% de Flávio. Foram considerados Datafolha, 40% a 36%; Indexa, 39% a 34%; Meio/Ideia, 39,4% a 38,4%; AtlasIntel, 45,3% a 42,2%; Quaest, 39% a 34%; Nexus, 42% a 37%; e Real Time Big Data, 43% a 39%. O último Real Time, por exemplo, foi realizado entre 26 e 30 de setembro e registrou 43% para Lula e 39% para Flávio.

Quanto isso representa em votos

O Brasil tem 158.765.543 eleitores aptos a votar neste ano. Em 2022, 79,05% do eleitorado compareceu ao primeiro turno e foram contabilizados 118,2 milhões de votos válidos.

Se esses índices se repetissem, a eleição de domingo teria perto de 120 milhões de votos válidos. Seriam necessários pouco mais de 60 milhões para ultrapassar a metade.

Com 44,4%, Lula teria aproximadamente 53,3 milhões e precisaria acrescentar cerca de 6,7 milhões de votos. Flávio, com 40,2%, teria perto de 48,2 milhões e necessitaria de aproximadamente 11,7 milhões a mais.

Os números são apenas uma tradução dos percentuais para a dimensão do eleitorado. O comparecimento e a quantidade de votos brancos e nulos podem alterar tanto o número de votos válidos quanto o total necessário para superar os 50%.

De onde podem vir os votos que faltam

A própria média dá uma medida do espaço disponível fora dos dois líderes. Se Lula concentra 44,4% dos votos válidos estimados e Flávio, 40,2%, os demais candidatos ficam, juntos, com 15,4%.

Mantidos os percentuais dos demais componentes da conta, Lula precisaria incorporar 5,6 desses 15,4 pontos para chegar aos 50% — pouco mais de um terço dos votos que hoje aparecem com outras candidaturas.

Há ainda eleitores que nas pesquisas se declaram indecisos, dizem votar em branco ou nulo ou afirmam que podem mudar de candidato. Nem todo voto conquistado nesse grupo, porém, aproxima Lula na mesma proporção dos 50%: quando um eleitor que antes não indicava candidato passa a escolher alguém, aumenta também o universo de votos válidos.

Outra frente é o comparecimento. Na reta final, a campanha de Lula passou a enfatizar a redução da abstenção entre segmentos e regiões nos quais o presidente apresenta desempenho mais favorável nas pesquisas. Mobilizar quem já tende a votar nele pode ser tão importante para a conta do primeiro turno quanto conquistar votos de adversários menores.

O alerta de 2022

A eleição passada mostra por que a distância até os 50% deve ser lida com cautela. No primeiro turno de 2022, Lula terminou com 48,43% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro chegou a 43,20%. As pesquisas finais ficaram, em geral, mais próximas do resultado de Lula e subestimaram o desempenho de Bolsonaro. O precedente não permite projetar que o mesmo ocorrerá agora, mas mostra que diferenças de poucos pontos na reta final podem mudar de tamanho nas urnas.

A média do Congresso em Focotambém não é uma previsão do resultado de domingo. Os institutos trabalham com metodologias, amostras, períodos de coleta e margens de erro diferentes. O cálculo mostra a distância que separaria Lula e Flávio dos 50% caso a fotografia atual das pesquisas se reproduzisse nas urnas.








Teologia do domínio ganha força no Brasil com avanço político evangélico


Conceito reúne correntes que defendem controle cristão da vida pública; especialistas alertam para riscos à democracia

A proximidade com as eleições e a relação de parte da igreja evangélica com o poder político reacenderam o debate sobre a teologia do domínio, com vídeos sobre o tema circulando em grupos de mensagens e nas redes sociais. Mas o que de fato é teologia do domínio?

Especialistas explicam que o conceito é o resultado de um conjunto de correntes teológicas nas quais cristãos acreditam ter um mandato divino para assumir o controle de todas as instâncias de poder e esferas públicas. Ou seja, não basta estar presente na sociedade, é preciso exercer o domínio sobre ela.

No Brasil, esse fenômeno ficou mais evidente a partir de 2018 com a eleição de Jair Bolsonaro (PL) para a Presidência. Com o slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, Bolsonaro nomeou um ministro “terrivelmente evangélico” para o Supremo Tribunal Federal e adotou políticas conservadoras voltadas ao modelo de família tradicional e à proteção da moral cristã.

O movimento de alguns cristãos para dominar a sociedade começou antes, nos Estados Unidos, no início do século 20, segundo Magali Cunha, pesquisadora do Iser (Instituto de Estudos da Religião).

Ela explica que uma das correntes que deram início à teologia do domínio surgiu entre cristãos calvinistas, os seguidores da tese de João Calvino de que Deus tem o controle de todas as coisas. O chamado fundamentalismo religioso nasceu com o objetivo de preservar a fé cristã do que consideravam um perigo ou ameaça, como a revolução industrial e suas modernidades.

Nessa tentativa de proteger a fé cristã surge o que hoje os evangélicos chamam de batalha espiritual, ou seja, a luta do bem contra o mal. O sociólogo Rodrigo Toniol, colunista da Folha de S.Paulo, destaca que há territórios, instituições, cidades e diferentes esferas da vida social que para os evangélicos podem estar sob influência do mal e que precisam ser reconquistadas para Deus. “Portanto, ‘dominar’, aí, significa antes de tudo fazer prevalecer o bem sobre o mal”, afirma.

Cunha explica que uma outra teologia surge a partir da Segunda Guerra Mundial para responder às demandas políticas da época. A proposta não é só proteger a fé, mas ocupar todas as áreas da sociedade. Chamada de dominionista, essa tese parte de uma leitura do livro de Gênesis, quando Deus dá ao homem o poder de dominar sobre a sua criação.

“Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que rastejam sobre a terra”, diz o livro de Gênesis, capítulo 1, verso 28.

Para o teólogo e antropólogo Igor Shimura, professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), a lógica da teologia do domínio vem do Velho Testamento da Bíblia, onde também estão registradas guerras em nome de Deus.

Shimura explica que igrejas pentecostais e neopentecostais, como Universal e Assembleia de Deus, são exemplos de denominações que se baseiam mais no Velho Testamento, ao contrário das igrejas reformadas, como as presbiterianas, que aplicam mais o Novo Testamento.

Isso explica em parte, diz Shimura, o fato de igrejas pentecostais estarem mais presentes na política e na teologia do domínio. A Igreja Batista da Lagoinha, por exemplo, criou o Clava Forte Bank. Porém, para Cunha é um equívoco associar a tese do domínio aos pentecostais. Ela lembra do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, do governo Bolsonaro, que é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil e foi exonerado do cargo após revelação de “balcão de negócios” do MEC.

Outra tese que contribui para a dominionista é a teologia dos sete montes ou das sete montanhas. Elas representam as áreas que os cristãos devem dominar como uma ordem de Deus. São elas: família, religião (a própria igreja), educação, política, mídia, artes e economia.

Segundo Shimura, essa ideia representa uma tentativa dos cristãos de reconstruir a sociedade a partir dos valores bíblicos, e não só influenciá-la.

Essa tese estabelece a ideia de controle, não só de presença ou influência cristã, o que é natural, explica o professor da UFPR. “Influenciar, vai influenciar, lógico. Mas, quanto? Qual o limite da influência? Se você não tem um norte de qual que é o limite, você vai indo e daqui a pouco vira predatória”, disse.

Como teólogo, Shimura explica que estar presente e participar da sociedade faz parte da missão evangélica, mas isso não significa controlar ou dominar.

“Onde estão os crentes? Estão em todos os lugares, certo? Agora, nós não precisamos dominar todos os lugares. É isso que é o ponto”, diz Shimura.

O pastor e teólogo Sergio Moreira, autor do livro “A Teologia do Domínio”, ressalta que a ideia de instalar um domínio evangélico sobre a terra é um equívoco. Isso porque o próprio Jesus disse que o reino de Deus não pertence a este mundo, mas está dentro de cada cristão. E lembra do verso que diz que “o reino de Deus está entre vocês”, no evangelho de Lucas.

“O reino de Deus é espiritual. A igreja, que representa o corpo de Cristo na terra, é a manifestação do reino de Deus. Nós devemos ensinar os valores de Jesus, não impor. Impor é um grande erro. Nenhuma fé deve ser imposta”, diz Moreira.

Shimura diz não ter dúvida de que existe uma teologia do domínio em curso no Brasil, orientando parte dos cristãos a fazer o que líderes religiosos desejam. Porém, ele pondera que a palavra “domínio” assusta um pouco. “O evangélico médio não quer dominar nada. Ele quer viver a vida dele com Jesus.

Agora, quem tem interesse político, sim, aplica a teologia do domínio porque quanto mais cargo, mais poder”, afirma.

Cunha lembra que o Brasil é um país laico, o que deve garantir a liberdade de culto a todos os grupos religiosos, inclusive a quem não tem uma religião.

“Quando um grupo religioso tem um projeto de poder e nesse projeto ele quer legislar e criar políticas públicas com base em uma única perspectiva religiosa, a gente tem um problema, porque mesmo entre os grupos religiosos há diferentes perspectivas. Isso compromete o Estado democrático de Direito”, afirma Cunha.




Lula visitará Pernambuco para ato público em Petrolina na terça (20)

Vinda de Lula no dia 20 de outubro foi confirmada pelo coordenador da campanha do petista no estado, o deputado federal Carlos Veras. O pres...