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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Explodiu: Flávio Bolsonaro bate-boca com jornalista do Estadão após artigo sobre escândalo Master

 


Eliane Cantanhêde, também da Globo, fez apenas a mais óbvia das perguntas que envolvem o caso: Por que o ministro André Mendonça não investiga o senador? Foi aí que ele perdeu o controle, confira

Acuado pelo avanço das investigações e pela devastação de sua imagem pública, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu a compostura nas redes sociais neste domingo (21) e bateu boca publicamente com a veterana jornalista Eliane Cantanhêde, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e comentarista da Globo. A explosão do parlamentar reflete o desespero de quem vê se fechar sobre si uma atmosfera de suspeitas em torno do caso Master, justamente no momento em que ele tenta se viabilizar como pré-candidato à Presidência da República.

O estopim para o descontrole de Flávio foi a publicação de um artigo de Cantanhêde no Estadão, neste domingo, cujo título tocou na ferida mais exposta do clã bolsonarista: “Caso Master: Não está faltando alguém nas buscas da PF e do STF?”. No texto, a jornalista vocalizou o questionamento que hoje ecoa nos corredores do Judiciário e da política nacional: por qual razão o senador fluminense continua blindado pelo ministro André Mendonça, do STF, enquanto o escândalo acumula provas contundentes contra ele?

A reação do filho 01 de Jair Bolsonaro foi imediata e agressiva. Flávio utilizou seu perfil na rede social X (antigo Twitter) para atacar diretamente a publicação oficial do jornal. Em tom ríspido, ele escreveu:

“Porque o investimento privado feito em um filme privado e sem contrapartida pública é tão legal quanto o feito em publicidade no Estadão. Não há absolutamente nada de errado. Pelo seu raciocínio, deveria haver busca e apreensão em cima dos donos Estadão (com o que eu não concordo). Porém, contudo, todavia, o Lula baiano é acusado de CORRUPÇÃO!!! Ou seja, por mais que você torça contra mim, possibilidade de crime só há na relação do líder do governo e fiel escudeiro de Lula com o Augusto Lima e o Master, e não no caso do filme”

Cerco se fecha: As mentiras que desabaram neste domingo

Para compreender a fúria do parlamentar, é preciso contextualizar o inferno astral que ele enfrenta. O domingo já havia amanhecido tenso para Flávio após uma revelação bombástica do jornal O Globo. O colunista Lauro Jardim trouxe a público a informação de que o senador mentiu reiteradamente sobre a cronologia de suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do esquema de fraudes financeiras do Banco Master.

A defesa do senador vinha sustentando que o único contato presencial relevante havia ocorrido no final de novembro de 2025, na residência de Vorcaro em São Paulo, para supostamente “dar um ponto final” nas negociações de patrocínio para o filme Dark Horse. No entanto, Jardim revelou que os dois já se reuniam secretamente a sós desde o primeiro semestre do ano passado, em uma mansão alugada pelo banqueiro em Brasília.

Essa nova peça do quebra-cabeça destrói a narrativa anterior de Flávio, que no início do escândalo chegou a afirmar que sequer conhecia o empresário. Posteriormente, quando confrontado com o fato de seu contato estar no celular de Vorcaro, alegou que seu número “não era segredo para ninguém” na capital federal. A máscara caiu em definitivo quando o portal The Intercept Brasil divulgou mensagens onde o senador tratava o magnata criminoso pelo apelido íntimo de “irmãozão”. Mais do que a proximidade, as investigações apontam que Flávio tentou levar R$ 134 milhões do banqueiro, tendo conseguido efetivamente abocanhar R$ 61 milhões em depósitos no exterior. A desfaçatez da relação ficou nítida quando descobriu-se que o parlamentar viajou a São Paulo para visitar o aliado quando este já utilizava tornozeleira eletrônica e cumpria medidas cautelares.

Estratégia frustrada de cortina de fumaça

Antes de explodir contra Eliane Cantanhêde, Flávio Bolsonaro gastou precioso capital político nos últimos dias tentando empurrar o foco do escândalo para o campo adversário. O senador e seus aliados lideraram uma ofensiva para inflar as suspeitas que pesam sobre o senador baiano Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado, também citado em desdobramentos do caso.

A estratégia de criar uma cortina de fumaça partidária, contudo, redundou em um retumbante fracasso. A opinião pública e a imprensa profissional não morderam a isca. Embora o envolvimento de figuras governistas seja alvo de apuração, a gravidade e a especificidade das cifras que envolvem Flávio, os R$ 134 milhões exigidos e os R$ 61 milhões recebidos de forma nebulosa de um banqueiro sob investigação, mantiveram o filho do ex-presidente firmemente fincado nas manchetes policiais. Ao perceber que não conseguiria usar Jaques Wagner como escudo humano, o nervosismo do senador transbordou.

Sob os refletores: A incômoda blindagem de André Mendonça

O ponto nevrálgico do artigo de Cantanhêde, e que gerou o curto-circuito em Flávio, é a crescente e insustentável pressão das redes sociais e de setores jurídicos sobre o ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal.

A omissão de Mendonça em autorizar mandados de busca e apreensão ou a abertura formal de um inquérito específico contra Flávio Bolsonaro já começou a “pegar mal” institucionalmente. Nos bastidores do Judiciário, avalia-se que a postura do magistrado, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro sob a alcunha de “terrivelmente evangélico”, configura uma linha clara de proteção política a um aliado ideológico extremista. Diante de um conjunto de provas tão robusto e de sucessivas mentiras desmascaradas, a inércia do relator começa a constranger o próprio Supremo.

Ao atacar a imprensa e tentar equiparar uma transação comercial legítima (como a venda de publicidade de um jornal) a repasses milionários e secretos de um banqueiro fraudador, Flávio Bolsonaro sinaliza que perdeu os argumentos técnicos. O tom beligerante adotado no X é o último recurso de quem sabe que, caso a blindagem de André Mendonça sofra qualquer fissura nos próximos dias, a pré-candidatura presidencial será o menor dos seus problemas.





domingo, 21 de junho de 2026

Boy Ribeiro participa de eventos em localidades da zona rural de Jataúba.

Na noite do último sábado (20), o líder político Boy Ribeiro, acompanhando dos vereadores Chico de Irineu, Junior do Riacho do Meio, Paulo de Floro, o empresário Josemir Farias e vários correligionários, participaram de eventos em quatro setores da zona rural do município de Jataúba.

No início da noite, o Sítio da Impoeiras foi a primeira parada da noite, na confraternização junina na Associação Vale da Produção do Sítio Impoeiras, que este ano completa 05 anos de fundação, e conta com mais de 70 associados, que promove anualmente a festa junina na comunidade.

Logo após a comitiva foi até a Vila do Jundiá, prestigiar a tradicional festa junina no sítio do ex-vereador Moacir Clemente, em seguida na praça no centro  da Vila do Jundiá, todos participaram do São João com a organização da prefeitura municipal.


O momento mais aguardado por todos, foi a chegada do líder político Boy Ribeiro, no Sítio Luiza, em especial na chácara de sua irmã Marluce, com a presença de todos irmãos(as), e familiares na confraternização 11ª (décima primeira) tradicional festa da família "RIBEIRADA", com muitas emoções e alegria.

A convite do vereador  Zito Lopes, degustaram uma saborosa galinha caipira com xerém em sua residência, e todos finalizaram a noite na festa do São João da zona rural, do Sítio Mimoso.






























sexta-feira, 19 de junho de 2026

Ampla maioria dos vereadores de Ipojuca declara apoio a Eduardo da Fonte para o Senado; Irmão Genival assume presidência da Federação União Progressista no município

Nesta sexta-feira (19), na sede da Federação União Progressista, em Recife, a ampla maioria dos vereadores de Ipojuca declarou apoio à pré-candidatura do deputado federal e presidente da federação, Eduardo da Fonte, ao Senado Federal. Na ocasião, ao lado do deputado federal Lula da Fonte, o vereador Irmão Genival assumiu a presidência da Federação União Progressista no município.

Formalizaram apoio os vereadores Irmão Genival, Júlio Marinho, Albérico da Cobal, Gilmar Costa, Magal Nascimento, Arley de Curió, Irmão Abel, Danda Positivo e Flávio do Cartório, reforçando a unidade do grupo político em torno do projeto liderado por Eduardo da Fonte.

Ao assumir a presidência da federação em Ipojuca, Irmão Genival destacou a parceria de Eduardo da Fonte com os municípios pernambucanos e a capacidade de transformar o mandato em entregas. “Eduardo conhece a realidade dos municípios, escuta as lideranças e trabalha para tirar os projetos do papel. Ipojuca precisa ter voz em Brasília e no Senado, e estamos unidos para fortalecer esse projeto que já trouxe tantos resultados para Pernambuco”, afirmou. 


Foto: Efraim Cruz

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Com a força de prefeitos e lideranças da Mata Norte, Eduardo da Fonte lança evento Papo que Transforma

O presidente da Federação União Progressista e pré-candidato ao Senado, deputado federal Eduardo da Fonte, lançou, nesta quinta-feira (18), em Aliança, na Mata Norte de Pernambuco, o evento Papo que Transforma, que reuniu prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças da região para discutir investimentos, desafios e soluções para o desenvolvimento regional.  

Durante o encontro, Eduardo apresentou um balanço das ações realizadas ao longo de sua trajetória na Câmara dos Deputados. Ao todo, foram destinados quase R$ 200 milhões para municípios da Mata Norte, com investimentos em saúde, educação, infraestrutura, agricultura, abastecimento de água, mobilidade e inclusão social.

Conhecido por sua atuação na saúde, Eduardo destacou a necessidade de descentralizar os serviços no interior do estado. Atualmente, a Mata Norte possui cerca de 830 mil habitantes e conta com apenas dois hospitais regionais de referência, somando 128 leitos, uma das menores proporções de leitos por habitante de Pernambuco. A proposta é fortalecer a rede regional com mais leitos de retaguarda para reduzir a dependência dos hospitais da Região Metropolitana do Recife.  

“Não é justo que milhares de pessoas precisem percorrer longas distâncias para conseguir uma consulta, um exame ou uma cirurgia. Pernambuco precisa avançar na descentralização da saúde, fortalecendo as regiões e levando atendimento especializado para mais perto de quem precisa. Esse é um compromisso que defendemos para a Mata Norte e para todo o estado”, afirmou Eduardo da Fonte.

*O Papo que Transforma* é o primeiro de uma série de encontros que percorrerão Pernambuco para apresentar resultados, ouvir demandas e discutir soluções para cada região. A próxima edição acontecerá na Mata Sul, no dia 26 de junho, seguida pelo Agreste, no dia 3 de julho. 



Foto: Igor Toscano

Em Petrolina, governadora Raquel Lyra inaugura nova sede do GTA e Central de Videomonitoramento para ampliar operações de segurança

Reforçando a estrutura de segurança pública no Sertão do São Francisco, a governadora Raquel Lyra inaugurou, nesta quinta-feira (18), dois importantes equipamentos estratégicos para ampliar a capacidade operacional das forças de segurança na região. No município de Petrolina, foi entregue o novo hangar que funcionará como base avançada do Grupamento Tático Aéreo (GTA), o primeiro fora da capital pernambucana, e a Central de Videomonitoramento. As entregas fortalecem as ações de prevenção e combate à criminalidade, ampliam a cobertura aérea e tecnológica das operações e garantem mais agilidade na resposta às ocorrências.

“Estamos fortalecendo a segurança pública em Petrolina e em todo o Sertão do São Francisco com mais estrutura, tecnologia e capacidade de resposta. A entrega da primeira base avançada do GTA fora da capital amplia o atendimento aéreo na região, enquanto a nova Central de Videomonitoramento permite um acompanhamento mais eficiente das ocorrências, ajudando nossas forças de segurança a atuar com mais rapidez e precisão”, ressaltou a governadora Raquel Lyra.

A nova base avançada do Grupamento Tático Aéreo (GTA) tem capacidade para abrigar até duas aeronaves da frota, que serão empregadas em missões de resgate aeromédico, combate a incêndios florestais, transporte de vítimas, reconhecimento aéreo, patrulhamento policial e apoio a diversos órgãos públicos.

“Esta é a primeira base fora da capital e servirá de apoio para as aeronaves, garantindo a preservação desses equipamentos. A partir daqui, ampliamos a capacidade de atendimento aéreo para Petrolina e toda a região. Além disso, inauguramos a central de monitoramento, responsável por acompanhar cerca de 600 câmeras instaladas em cidades do Sertão”, destacou Alessandro Carvalho, secretário de Defesa Social.

O hangar está localizado no Condomínio Aeronáutico Fly Residence, em posição estratégica que contribui para a ampliação da cobertura aérea regional. A infraestrutura conta com sala de planejamento de voo, alojamentos, setor administrativo, área de abastecimento, sala de manutenção, copa e pátio de manobra.

O prefeito de Petrolina, Simão Durando, destacou a importância dos investimentos para o fortalecimento da segurança pública no município e em toda a região. “As entregas na área da segurança realizadas pelo Governo de Pernambuco reforçam o compromisso da gestão com o povo sertanejo. Não víamos investimentos como esses há muitos anos”, frisou o gestor municipal.

A Central de Videomonitoramento, também inaugurada nesta quinta-feira, auxiliará as ações de monitoramento e segurança na região. Em Petrolina, já foram instaladas 55 câmeras de videomonitoramento em 35 Pontos de Captura de Imagem (PCIs), o que representa mais de 67% do contrato executado.

O deputado federal Fernando Filho afirmou que “equipamentos como esses são essenciais para a região do São Francisco”. Já o deputado federal Túlio Gadêlha complementou. “Entregas como essas reforçam o compromisso da gestão com o futuro de Pernambuco”, finalizou o parlamentar.

Também acompanhando a agenda, o deputado estadual Antônio Coelho destacou a importância das entregas para a região. “As novas entregas serão essenciais para fortalecer a segurança pública de Petrolina e de todo o Sertão”, afirmou. Por sua vez, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho também comemorou as entregas realizadas. “O Sertão esperou por muito tempo a chegada desses investimentos. Pernambuco vive hoje os melhores números de sua série histórica”, destacou.

Também estiveram presentes os secretários estaduais Túlio Vilaça (Casa Civil) e Cícero Moraes (Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca); os prefeitos Catharina Garziera (Lagoa Grande) e Cloves Ramos (Afrânio); as lideranças políticas Júlio Lóssio Filho, Odacy Amorim e Dulci Amorim; além do presidente do Conselho de Administração da Embrapa (Consad), Guilherme Coelho. 


Fotos: Yacy Ribeiro/Secom

Wesley Safadão no palco e Xand Avião comandando o trio elétrico agitam fim de semana em Santa Cruz

Grandes atrações movimentam o São João da Moda com shows, transmissão da Copa do Mundo e o retorno das Drilhas pelas ruas da cidade.

Após um primeiro fim de semana marcado pelo sucesso de público, grandes apresentações e muita emoção, o São João da Moda 2026 se prepara para mais dois dias de festa em Santa Cruz do Capibaribe.

Além da programação musical, o Parque Wellington Monteiro contará novamente com a transmissão ao vivo da Copa do Mundo, com o segundo jogo da Seleção Brasileira na competição.

A programação começa na sexta-feira (19), com a abertura dos portões às 16h. Abrindo a noite de shows, Lipe Lucena sobe ao palco e dá início à festa. Às 19h, Wesley Safadão comanda um dos momentos mais aguardados do São João da Moda, preparando o público para a partida entre Brasil e Haiti, que terá início às 21h.

Após o jogo, a festa continua com os shows de Matheus e Kauan e Leidinha Santos, encerrando a programação do palco principal. No Palco Forró da Ema, a animação fica por conta de Toinho Catanha, Sandrinha Índia, Flavinha Rocha e Samuel Cardona.

Drilhas retornam às ruas no domingo

Encerrando o segundo fim de semana do São João da Moda, o domingo (21) será marcado pelo retorno das tradicionais Drilhas, que prometem levar muita alegria e forró pelas ruas de Santa Cruz do Capibaribe.

O bloco No Mei da Rua terá concentração a partir das 14h, nos arredores da Praça de Alimentação, às margens da PE-160. A partir das 15h, os trios elétricos de Elifas Jr. e Xand Avião iniciam o percurso, arrastando milhares de pessoas em mais uma grande celebração junina.

Segurança e mudanças no trânsito durante as Drilhas

Em virtude da passagem dos trios elétricos, a PE-160 estará interditada no trecho entre a Central de Feiras e Mercados e o acesso à Rua dos Pacas/Biu de Deda.

Para minimizar transtornos e garantir a fluidez do trânsito, a Secretaria de Mobilidade Urbana orienta os condutores a utilizarem rotas alternativas.

Para quem precisa sair da cidade, a recomendação é seguir pela Rua Joaquim Nabuco, acessando a Avenida Cesário Aragão, Rua Professora Olindina, Rua Cabo Otávio Aragão, Rua Raimundo Francelino Aragão e Avenida Prefeito Teófanes Ferraz, até o acesso à PE-160.

Já para os motoristas que desejam entrar no município, o trajeto indicado é pela Avenida Prefeito Teófanes Ferraz, seguindo pela Avenida João Francisco Aragão e Avenida Teonilo Silvestre, com conexão à PE-160.

A interdição terá início às 13h do sábado (20) e seguirá até às 19h do domingo (21), horário previsto para o encerramento das festividades.




PF livre sob Lula: Bolsonaro afastou ou puniu quase 20 delegados durante investigações

Mais importante órgão investigativo da União age contra todo e qualquer suspeito nas administrações do petista, enquanto no governo do ex-presidente condenado era amordaçado para não pegar aliados.

A saúde de uma democracia mede-se pela autonomia de suas instituições de controle. Quando o principal órgão de investigação de um país opera sem olhar a quem, o Estado de Direito prevalece; quando é convertido em guarda-costas pessoal do mandatário, a República desmorona. A história recente do Brasil oferece o mais didático e brutal contraste entre esses dois modelos de governança. De um lado, a atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resgata o princípio constitucional da impessoalidade, garantindo total liberdade de atuação à Polícia Federal. Do outro, a memória recente do governo de Jair Bolsonaro (PL), que aparelhou, amordaçou e retaliou sistematicamente a corporação para blindar o próprio clã e seus satélites políticos.

O mais recente e contundente testemunho dessa independência institucional sob a égide de Lula materializa-se em ações que podem resvalar no próprio governo e em sua base de apoio. Recentemente, a Polícia Federal realizou operações de busca e apreensão que miraram figuras da mais alta relevância no arranjo governista, incluindo a desta quinta (18), que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e um dos aliados mais históricos e próximos do presidente da República. Em uma gestão marcada pelo autoritarismo, tal movimento resultaria na decapitação imediata da linha de comando da investigação. No governo Lula, contudo, o episódio transcorre dentro da normalidade democrática: a PF investiga, o Judiciário chancela e o Executivo respeita. Não há canetadas na calada da noite, não há remoções sumárias de superintendentes, tampouco asfixia de delegados incômodos.

Essa postura republicana não é um mérito isolado, mas uma diretriz que resgata a tradição dos mandatos petistas, período em que a PF ganhou a musculatura, a tecnologia e a autonomia que a transformaram em uma instituição de Estado, e não de governo. A premissa é clara: quem deve, paga, independentemente do partido ou da proximidade com o Palácio do Planalto.

Balcão de negócios e a mordaça do passado recente

O cenário atual ganha contornos ainda mais nítidos quando contrastado com o verdadeiro balcão de negócios em que a Polícia Federal foi transformada entre 2019 e 2022. Sob Jair Bolsonaro, a corporação viveu o período mais sombrio de sua história democrática, operando sob uma lógica de terror administrativo onde a competência era punida e a subserviência, premiada.

O modus operandi do ex-presidente foi escancarado na célebre reunião ministerial de 22 de abril de 2020, quando o mandatário vociferou contra a falta de informações de inteligência e explicitou seu desprezo pela autonomia da PF: “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui para brincadeira”.

A ameaça não ficou apenas na retórica inflamada. Levantamentos e documentos apontam que a gestão de Bolsonaro puniu ou afastou pelo menos 18 delegados da PF em episódios nítidos de retaliação política por cumprirem seus deveres legais.

O ápice dessa engrenagem de perseguição ficou evidente no caso da delegada Silvia Amélia. À frente da Diretoria de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça (DRCI), ela cometeu o “crime” de cumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal, formalizando o pedido de extradição do ativista bolsonarista Allan dos Santos, foragido nos EUA. Ato contínuo à sua atuação estritamente técnica, a delegada foi sumariamente removida da função.

Cronologia de intervenções e blindagens

A lista de profissionais rifados pelo bolsonarismo é extensa e desenha um mapa do aparelhamento estatal:

Maurício Valeixo e Ricardo Saadi – Saadi, então superintendente da PF no Rio de Janeiro, foi alvo de intrigas de policiais alinhados ao Planalto e teve sua troca anunciada diretamente por Bolsonaro em agosto de 2019. Quando o então diretor-geral, Maurício Valeixo, defendeu a competência de Saadi e desmentiu o presidente, que alegava “falta de produtividade”, Valeixo entrou na mira do governo, culminando na crise que provocou a demissão do então ministro da Justiça, Sergio Moro.

Rolando de Souza – Substituto imediato de Valeixo, assumiu o cargo sob forte desconfiança, mas acabou sofrendo pressões intensas ao tentar resistir a algumas das exigências de trocas de cargos-chaves feitas pelo presidente.

Felipe Leal e Graziela Costa e Silva – O delegado Felipe Leal, responsável pelo inquérito que apurava justamente a interferência de Bolsonaro na PF, questionou a cúpula sobre o afastamento de colegas. Foi afastado da investigação. Em solidariedade, a delegada Graziela Costa e Silva coordenou um abaixo-assinado em seu apoio; ambos tiveram suas promoções na carreira negadas como castigo.

Blindagem a Ricardo Salles – A Amazônia e o meio ambiente foram palcos de uma verdadeira limpa institucional para proteger o então ministro Ricardo Salles. O superintendente no Amazonas, Alexandre Saraiva, e o delegado Thiago Leão, responsáveis pela Operação Handroanthus, que resultou na maior apreensão de madeira ilegal da história da PF, foram escanteados após Salles interceder a favor dos madeireiros criminosos. O efeito dominó atingiu Max Eduardo Alves Ribeiro (que teve promoção negada por autorizar Saraiva a dar entrevistas), Franco Perazzoni (vetado na chefia do combate ao crime organizado no DF por negar acesso da cúpula ao inquérito de Salles) e Rubens Lopes da Silva (afastado da Divisão de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente após tocar a Operação Akuanduba, que também asfixiava o esquema do ministro).

Perseguições Diversas – A tesoura ideológica alcançou até mesmo Rodrigo Fernandes, delegado que investigou o atentado à faca contra Bolsonaro e concluiu que o ato foi perpetrado por um lobo solitário, frustrando a narrativa política de um complô de esquerda; sua promoção foi bloqueada. Delegados como Denisse Ribeiro (Inquérito dos Atos Antidemocráticos) e Bernardo Guidali Amaral (que tentou investigar o Judiciário e foi rifado para agradar magistrados) também sentiram o peso do torniquete. Na ponta regional, Carla Patrícia Cunha foi removida da chefia em Pernambuco por suspeitas paranoicas de ligações com a oposição local, e Daniel Grangeiro, em Alagoas, foi punido após suas investigações atingirem aliados vitais do presidente, como o deputado Arthur Lira. Até o chefe do Comando de Operações Táticas, Antonio Marcos Lourenço Teixeira, acabou afastado por desentendimentos banais com a segurança pessoal do então presidente.

Institucionalidade devolvida ao país

O contraste entre o passado de sobressaltos e o presente de estabilidade investigativa expõe a diferença fundamental entre governar para a República e governar para um clã. Enquanto o ex-presidente utilizava a máquina pública como um escudo privado, mutilando carreiras, distorcendo relatórios e intimidando servidores, a atual gestão demonstra que o fortalecimento da Polícia Federal passa, obrigatoriamente, pelo respeito à sua autonomia de atuação.

Mesmo quando a engrenagem do Estado atinge o Palácio do Planalto ou seus articuladores políticos mais diletos, como no caso que envolve o senador Jaques Wagner, a resposta do governo federal não é o estrangulamento da corporação, mas a entrega do devido processo legal. Sob o comando de Lula, a Polícia Federal recuperou o direito de ser policial, de ser federal e, acima de tudo, de ser livre. Aos olhos da história, fica o veredicto: a mordaça caiu, e as instituições voltaram a respirar.



Informação Revista Fórum 

Explodiu: Flávio Bolsonaro bate-boca com jornalista do Estadão após artigo sobre escândalo Master

  Eliane Cantanhêde, também da Globo, fez apenas a mais óbvia das perguntas que envolvem o caso: Por que o ministro André Mendonça não inves...