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sábado, 16 de maio de 2026

Prefeito de Malhador-SE anuncia envio de projeto para aumentar salário dos garis para R$ 3,5 mil

Com o índice de 96,02% dos moradores de Malhador, que aprovam a administração de Assisinho, o prefeito realizou uma pegadinha e anunciou nas primeiras horas desta sexta-feira (15), o envio de um projeto de lei à Câmara de Vereadores propondo salário de R$ 3,5 mil para os garis do município. O anúncio foi feito durante uma conversa descontraída com os trabalhadores da limpeza urbana, na véspera do Dia do Gari, comemorado neste sábado (16).

Antes de revelar a proposta, o prefeito brincou com os servidores ao dizer que faria demissões, causando surpresa entre os trabalhadores. Em seguida, Assisinho explicou que o encontro era, na verdade, para anunciar o novo valor salarial, caso o projeto seja aprovado pelos vereadores na sessão da próxima terça-feira.

“Vocês acordam cedo, trabalham na chuva, no sol, não têm hora. Vocês deixam a cidade mais linda”, afirmou o prefeito ao agradecer o serviço prestado pelos garis. Durante a fala, ele também destacou que a medida representa um reconhecimento ao trabalho diário realizado pela categoria no município, com organização e respeito com o dinheiro público, sem gastos desnecessário.

De acordo com o último Censo Demográfico realizado pelo IBGE, a população oficial do município de Malhador, em Sergipe, é de 11.533 habitantes. 




Set de "Dark horse" teve tensão, sinais de investimento alto e champanhe na prisão de Bolsonaro

Filme sobre a facada no ex-presidente teve patrocínio de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e preso sob acusações de corrupção e outros crimes.

As filmagens de Dark Horse tiveram momentos de tensão nos bastidores, porque boa parte da equipe era progressista, como é comum no meio audiovisual, enquanto os líderes do projeto eram identificados com o bolsonarismo e o trumpismo — como o roteirista Mário Frias e o diretor Cyrus Nowrasteh. Além disso, o dia a dia da produção deixava claro que o longa contou com altos investimentos, conforme participantes relataram ao Globo.

Dark Horse, ou "azarão", conta a história da facada em Jair Bolsonaro e de sua ascensão à presidência. A produção teve patrocínio do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso sob acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, táticas de intimidação, coerção e outros crimes. O Globo questionou a produtora Go Up, responsável pelo projeto, sobre os bastidores das filmagens, mas não teve resposta — o espaço segue disponível.

Desde o início, os chefes deixaram claro que as equipes deveriam tomar cuidados ligados a questões ideológicas — como não usar roupas de cor vermelha ou símbolos de grupos como o MST.

Mas, com o correr das filmagens, as equipes também passaram a questionar bonés e vestimentas das lideranças, que exibiam símbolos como a bandeira americana adornada por fuzis. "A gente concordava em não usar vermelho, mas pedimos que eles também não usassem aquilo", conta uma pessoa que participou da produção.

De acordo com os relatos, integrantes da equipe resistiram a participar do projeto por conta da natureza ideológica do filme, e alguns só aceitaram porque teriam recebido cachês mais elevados que a média do mercado. Uma participante chegou a perder um outro trabalho, após os responsáveis saberem que ela participava de Dark Horse. "Ela chorou no set", diz um profissional.

O ponto alto das tensões teria acontecido no chamado "dia do rolo 100". É uma tradição no cinema que, quando as gravações chegam ao centésimo rolo de filme, exista uma celebração no set. Atualmente, com a digitalização do setor, a festa acontece quando se atinge o "cartão de memória 100" — embora, por conta da tradição, os profissionais ainda chamem de "rolo 100".

Conforme a data se aproximava, boa parte da equipe não estava animada para os festejos, por conta das divergências políticas, mas as lideranças compraram champanhes e planejaram a celebração. Ocorre que o "rolo 100" aconteceu em 22 de novembro de 2025, data da prisão de Jair Bolsonaro. Resultado: a equipe abriu champanhes e celebrou, até meio ostensivamente, com a "desculpa" de que se tratava da festa do "rolo 100" — enquanto Frias e outros bolsonaristas lamentavam nos bastidores.

'Dinheiro para todo lado'
Os relatos também indicam que a produção, de fato, teve farto financiamento — como sugerem os documentos e mensagens que ligam Vorcaro ao projeto.

As filmagens duraram cerca de dez semanas, acima até do tempo gasto em séries com diversos episódios, segundo profissionais do setor ouvidos pelo Globo. "Tudo era filmado com calma, a gente filmava três páginas de roteiro por dia, quando o normal no cinema é cinco ou seis", diz um integrante da equipe.

Em boa parte desse período, o set tinha centenas de figurantes — entre 250 e 300, conforme os relatos. Havia sempre ao menos três equipes de câmeras, que chegavam a cinco em certos dias — mesmo em filmes de bom orçamento, o normal são dois times. Elas usavam equipamentos sofisticados, como gruas da marca Scorpio com braço robótico.

Os atores norte-americanos, como o protagonista Jim Caviezel e Esai Morales, contavam com trailers de apoio, uma exigência do sindicato do país. Nos momentos em que se maquiavam ou se preparavam para as cenas, a produção contava com stand-ins — profissionais com as mesmas características físicas dos atores, usados para se ensaiar a preparação de luz e o posicionamento das câmeras, também um luxo incomum nas produções filmadas no Brasil.

A colunista Malu Gaspar, do Globo, apurou que ao menos R$ 62 milhões de Vorcaro teriam sido repassados à produção. O valor supera os orçamento de produções brasileiras que disputaram o Oscar, como 'Ainda Estou Aqui' (R$ 45 milhões) e 'O Agente Secreto' (R$ 28 milhões). "Em Dark Horse, era dinheiro para todo lado", diz um integrante da equipe.











EM UMA SEMANA, OPERAÇÃO DO GOVERNO DO ESTADO REMOVE 100 CAÇAMBAS DE RESÍDUOS DO RIO BEBERIBE

Nesta primeira semana de trabalhos, a força-tarefa emergencial de limpeza e desobstrução do Rio Beberibe do Governo de Pernambuco já retirou mais de 100 caçambas do material que obstruía o rio, o que inclui lixo, entulhos, vegetação e resíduos diversos. A operação foi iniciada no último dia 8 e acontece no trecho a partir da altura da ponte Dalva de Oliveira e integra um conjunto de medidas de enfrentamento aos impactos do período chuvoso nas áreas ribeirinhas, que conta com atuação das secretarias de Recursos Hídricos e Saneamento, Desenvolvimento Urbano e Habitação, Cehab, Compesa e Apac. 

“Até o momento, aproximadamente 400 metros do rio já passaram por serviços de limpeza. Ao todo, a intervenção abrangerá uma extensão de 3,7 quilômetros, com atuação contínua das equipes do Governo do Estado. Os trabalhos contam com o apoio de quatro escavadeiras hidráulicas, cinco retroescavadeiras e trinta caminhões-caçamba. Esse serviço é essencial para garantir melhores condições de drenagem do rio e proteger as comunidades que historicamente sofrem com os alagamentos nesta região”, avaliou Rodrigo Ribeiro, secretário de desenvolvimento urbano e habitação. 

De acordo com o secretário de recursos hídricos e saneamento, Almir Cirilo, a intervenção segue sem prazo definido para conclusão. “O trabalho segue firme, sem previsão para terminar, porque o Governo do Estado chegou a esta região e só sairá quando a condição do rio e das pessoas que vivem perto dele estiver bastante melhorada. Estamos atuando para garantir mais segurança às famílias, melhorar o escoamento das águas e reduzir os impactos das chuvas sobre as comunidades ribeirinhas”, afirmou.

Moradora da Rua Dalva de Oliveira há mais de seis décadas, Neide Xavier relatou os impactos constantes das cheias na região e comemorou o início da ação do Governo do Estado. “Eu tenho uma lanchonete, sirvo almoço e esse lixo é péssimo pra quem trabalha com comida. Além disso, sofremos muito com as enchentes. Na última chuva, do início do mês, perdi muita mercadoria do meu comércio. Graças a Deus que veio essa equipe do governo para fazer essa limpeza no rio e espero que prossiga ainda mais. A gente não aguenta mais cheia”, disse. Neide contou ainda que precisou elevar sua residência em cerca de 1,80 metro acima do nível da rua para tentar reduzir os impactos das inundações, mas mesmo assim segue convivendo com prejuízos a cada novo inverno. “Deus queira que dê certo. É o que a gente mais espera”, finalizou.

A expectativa do Governo de Pernambuco é retirar cerca de 2 mil metros cúbicos de resíduos ao longo da operação. Segundo a Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento, o assoreamento do Rio Beberibe ocorre de forma acelerada, principalmente em razão do descarte irregular de resíduos sólidos nas margens e no leito do rio. As últimas grandes intervenções de limpeza no Beberibe ocorreram na década de 1980 e em 2013. O Rio Beberibe nasce em Camaragibe e percorre cerca de 24 quilômetros até a sua foz, na Ponte do Limoeiro, no Bairro do Recife, onde encontra o Rio Capibaribe.




No Recife, ministra do TSE alerta para "manipulação eleitoral" nas redes sociais

Estela Aranha aponta que, no ambiente digital, a manipulação eleitoral tem sido feita de maneira sistemática

Para a ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha, o modelo tradicional de regulação do direito eleitoral, construído para o rádio e para a televisão, tornou-se obsoleto e incapaz de proteger a integridade das eleições na era digital. A afirmação foi dada, nesta sexta-feira (15), em palestra magna no Recife.

Estela, que atuará diretamente nas Eleições 2026, participou do I Congresso do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) e do III Congresso Integrado de Direito Eleitoral, que tem como tema “Eleições 2026: Integridade do processo eleitoral na era digital”.

Diferente do rádio e da TV, onde os emissores eram claramente identificáveis e o tempo era escasso e regulado pela Justiça Eleitoral, a ministra explicou que o ambiente digital dissolve as distinções de campanha e pré-campanha, criando um espaço de “campanha permanente”.

“Hoje, muitas vezes, grande parte de campanhas eleitorais ou de debates políticos ocorrem em diversas contas que também falam de música, de estilo, de dia a dia”, exemplifica. “Pesquisas mostram que essas contas são mais influentes, na questão política e na eleitoral, do que as contas propriamente ditas eleitorais. Elas têm muito mais alcance e criam muito mais confiança”.

Segundo Estela, o ambiente digital são espaços privados que atuam na captura da atenção, estruturados no interesse econômico. “O princípio básico que se atua nesses espaços é de manipulação eleitoral. Temos uma opacidade da infraestrutura em que não sabemos como o algoritmo entrega, por que ele entrega e nem os interesses daquele influenciador”, afirma.

Outro ponto comentado pela ministra foi sobre as fake news, que, em suas palavras, funcionam como processo de “manipulação adversarial online”. De acordo com Estela, o termo se refere a um ecossistema coordenado ou semicoordenado que utiliza influenciadores, bots e mídias alternativas não para debater propostas, mas para esgarçar o tecido social e destruir a confiança na imprensa, nas instituições de Justiça, na ciência e, também, na própria Justiça Eleitoral.

“Essas plataformas muito mais que hospedam conteúdo. Elas organizam a visibilidade desse conteúdo, definindo a prioridade, modulam a circulação e vão distribuir o alcance”, afirma a ministra. “Então, vemos muitas vezes fatos que não têm importância para o país ou para a população e que viram um grande debate nacional. O modelo econômico das redes sociais vai priorizar isso”.

A ministra também pontuou sobre influenciadores e sistemas econômicos invisíveis. De acordo com Estela, influenciadores invisíveis são perfis que não se apresentam como campanha, não se identificam como agentes políticos e não aparecem como coordenação partidária, mas têm “enorme” poder e capacidade de mobilização. Eles moldam o comportamento do eleitor de forma indireta e emocional sob a aparência de “comunicação espontânea”.

Estela citou como exemplo investigações recentes da Polícia Federal envolvendo redes de influenciadores ligadas ao mercado de jogos de azar (como o "Tigrinho"), que usam recursos vultosos para interferir em debates regulatórios e políticos.

“É um conteúdo de propaganda eleitoral que vai chegar sem rótulo de propaganda, sem transparência econômica, sem identificação de qual o interesse político que se faz por trás, mas com uma enorme capacidade de influência política e eleitoral”, alerta.

Em sua avaliação, a Justiça Eleitoral precisa parar de “enxugar gelo”, ao focar apenas no centro da mensagem, e passar a fiscalizar a “arquitetura de distribuição de uma propaganda explícita para uma modulação invisível de atenção”.

“Esse modelo tem que ser capaz de analisar não só o que é dito, mas também quem financia o que é dito, como circula tudo que está colocando, como é feita a amplificação, quais estruturas econômicas estão sustentando essa difusão e quais os efeitos concretos produzidos pela formação da vontade política de eleitor”, conclui.



sexta-feira, 15 de maio de 2026

André Raimundo e Joãozinho Tenório anunciam conquistas históricas em habitação e regularização fundiária para Cachoeirinha

Em uma agenda marcada por forte emoção e proximidade com a população, o prefeito de Cachoeirinha, André Raimundo, ao lado do deputado estadual Joãozinho Tenório, anunciou nesta sexta-feira (15) duas grandes ações estruturantes para melhorar a realidade habitacional e social do município. As iniciativas envolvem o início do processo de regularização fundiária na Fazenda Cabanas e a chegada do programa Reforma no Lar à cidade.

Segurança jurídica na Fazenda Cabanas

Durante visita à comunidade da Fazenda Cabanas, o prefeito assinou a ordem de serviço para o georreferenciamento do território, um passo decisivo para a regularização e emissão dos títulos de propriedade das famílias locais. Muitas das famílias residem na área há gerações, construindo suas histórias sem possuir a documentação oficial da terra.

"Imagina morar a vida inteira num lugar, criar os filhos aqui e ainda não ter o papel da sua terra. E isso aqui vai muito além de documento. É dignidade, é segurança e é tranquilidade para as famílias ", destacou o prefeito André Raimundo durante o diálogo com os moradores.

Com a execução do georreferenciamento, a gestão municipal garante o avanço legal necessário para que os trabalhadores rurais e moradores conquistem, de forma definitiva, o título de suas propriedades.

Mais dignidade com o programa Reforma no Lar

Complementando as ações do dia, foi anunciada a contemplação de Cachoeirinha com 50 reformas residenciais por meio do programa Reforma no Lar, uma vertente da iniciativa estadual Morar Bem Pernambuco. O projeto visa reestruturar habitações de famílias em situação de vulnerabilidade, oferecendo melhorias essenciais como reboco, pintura, banheiros e novas instalações elétricas e hidráulicas.

Para Joãozinho, a iniciativa atinge diretamente o bem-estar social: "Quem vive essa realidade sabe que uma reforma muda a dignidade de uma família inteira. O programa ajuda quem mais precisa a melhorar suas casas e ter mais qualidade de vida."

O mapeamento e a seleção das famílias beneficiadas serão detalhados pelas equipes técnicas responsáveis pelas vistorias nos próximos dias.

Parceria com o Governo do Estado

Ao final das agendas, os líderes políticos reforçaram a importância do alinhamento com a gestão estadual para viabilizar as conquistas. André Raimundo expressou seu agradecimento direto à governadora Raquel Lyra e ao Governo de Pernambuco pelo compromisso com o município.

"É o cuidado chegando dentro da casa das pessoas. Nosso agradecimento à governadora por essa conquista tão importante para a nossa gente. Seguimos trabalhando e buscando cada vez mais melhorias para Cachoeirinha ", concluiu o prefeito.




Eduardo da Fonte visita projeto do Enfermeiro Navegador no Oswaldo Cruz e solicita ao Ministério da Saúde implementação em todo o país

O deputado federal Eduardo da Fonte visitou, nesta sexta-feira (15/05), ao lado do médico oncologista e intensivista Dr. Tarcísio Reis, o Hospital Oswaldo Cruz para conhecer de perto o projeto-piloto do Enfermeiro Navegador. A iniciativa acompanha pacientes em todas as etapas do tratamento, auxiliando no agendamento de consultas e exames, orientação sobre procedimentos e acolhimento durante o atendimento.

O Hospital Oswaldo Cruz é a única unidade 100% SUS em Pernambuco a contar com o projeto, implantado em junho de 2024. Desde então, 223 idosos já foram atendidos. Segundo a coordenadora do projeto e docente da Universidade de Pernambuco, Fábia Lima, o enfermeiro navegador contribui para identificar dificuldades no atendimento e buscar soluções junto à gestão hospitalar.

Autor do projeto que tramita na Câmara dos Deputados, Eduardo da Fonte anunciou que irá solicitar uma audiência pública na Comissão de Saúde e apresentar os resultados da iniciativa ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, com o objetivo de ampliar o modelo para todo o SUS.

“O acompanhamento eficiente agiliza o atendimento, reduz filas, garante mais dignidade ao paciente e ainda gera economia para o SUS”, destacou o deputado.

Também participaram da visita os deputados estaduais Henrique Filho e Claudiano Martins.





DataFórum; Fake news de Lauro Jardim, d’O Globo, sobre filme de Lula é usada para abafar elo entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Análise mostra como o campo bolsonarista usou a informação falsa sobre o documentário de Oliver Stone para transformar o caso Flávio-Vorcaro em narrativa de perseguição contra a direita.

DataFórum mostra que a fake news publicada pela coluna de Lauro Jardim, em O Globo, sobre um suposto financiamento de Daniel Vorcaro ao documentário “Lula”, de Oliver Stone, virou peça central da defesa bolsonarista para tentar abafar o elo entre o banqueiro e Flávio Bolsonaro.

A análise de publicações do campo bolsonarista indica uma estratégia clara: deslocar o foco das tratativas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para uma tese de equivalência política, segundo a qual o banqueiro também teria financiado produções sobre Lula e Michel Temer.

A versão sobre o documentário de Lula foi desmentida pelos produtores e diretores da obra. Como mostrou a Fórum, Oliver Stone e a equipe do filme negaram que Daniel Vorcaro, o Banco Master ou fundos e empresas ligados ao banqueiro tenham feito aporte, patrocínio, investimento ou contribuição para o projeto.

Mesmo assim, a informação falsa passou a ser usada por perfis e páginas bolsonaristas como argumento de defesa de Flávio Bolsonaro. A narrativa tenta apresentar o senador como alvo de uma operação da imprensa e da esquerda, não como personagem central de uma negociação com Vorcaro.

DataFórum identifica defesa bolsonarista baseada na tese “Lula também”

O eixo mais forte da reação bolsonarista foi a tese do “Lula também”. Em vez de enfrentar o conteúdo das revelações sobre Flávio Bolsonaro, os perfis passaram a associar Vorcaro a Lula, Temer, Globo, Luciano Huck e à chamada “mídia de esquerda”.

A manobra tem efeito político direto. Ao misturar casos diferentes, a defesa bolsonarista tenta diluir a gravidade do elo entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro e transformar a discussão em uma acusação genérica contra adversários do bolsonarismo.

O recurso é conhecido: quando uma denúncia atinge o campo de Jair Bolsonaro, a reação tenta deslocar o debate para uma suposta equivalência moral. No caso Vorcaro, essa equivalência foi construída com base em uma informação falsa sobre o filme de Lula e em uma comparação distorcida com o caso Temer.

No caso do ex-presidente Michel Temer, o dado que circulou trata de uma cota de R$ 1 milhão adquirida por um fundo ligado à família Vorcaro. A situação tem natureza e escala distintas da negociação envolvendo o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Fake news sobre filme de Lula vira cortina de fumaça

A fake news publicada por Lauro Jardim funcionou como cortina de fumaça para o campo bolsonarista. A partir dela, apoiadores de Bolsonaro passaram a defender que a cobrança sobre Flávio seria seletiva, porque Vorcaro supostamente teria financiado produções ligadas a outros políticos.

A tese ignora o desmentido dos responsáveis pelo documentário de Lula. Também mistura financiamento, investimento, patrocínio, compra de cota e apoio privado como se todas essas modalidades fossem equivalentes.

Essa confusão é parte da estratégia. Ao embaralhar os fatos, a defesa bolsonarista reduz a capacidade de o público distinguir o que foi comprovado, o que foi negado e o que está sendo usado apenas como insinuação política.

O resultado é uma narrativa de blindagem: Flávio Bolsonaro deixa de aparecer como beneficiário de uma tratativa com Daniel Vorcaro e passa a ser apresentado como vítima de perseguição da imprensa, da Globo e da esquerda.

Como a defesa de Flávio Bolsonaro foi organizada

A análise DataFórum identificou quatro movimentos principais na defesa bolsonarista.

O primeiro foi diluir o caso Flávio-Vorcaro. Em vez de discutir o pedido de recursos para a cinebiografia de Jair Bolsonaro, os perfis passaram a repetir que Vorcaro teria financiado “todo mundo”.

O segundo foi transformar a revelação em perseguição midiática. Termos como “mídia de esquerda”, “Globo”, “desinformação” e “ano eleitoral” apareceram como tentativa de enquadrar a cobertura jornalística como operação política contra Flávio Bolsonaro.

O terceiro foi criar equivalência artificial com Lula e Temer. No caso Lula, a informação foi negada pelos produtores do documentário. No caso Temer, o valor e a natureza do aporte citados não sustentam a equiparação feita por perfis bolsonaristas.

O quarto movimento foi converter a defesa em ataque. A partir da comparação com Lula, Temer e Globo, a direita passou a pedir CPI ou CPMI do Banco Master, reposicionando-se como defensora de investigação ampla.

Desmentido teve menos força que a narrativa bolsonarista

A análise mostra que a defesa bolsonarista teve mais força do que os desmentidos sobre o documentário de Lula. Entre publicações classificadas por engajamento, o eixo de equiparação e defesa concentrou 55,3% das interações analisadas.

O eixo de acusação e investigação contra Flávio Bolsonaro ficou em 31,1%. Já o bloco de desmentidos e negativas sobre o suposto financiamento ao filme de Lula representou apenas 7,5% das interações.

O dado reforça o ponto central da análise: a informação falsa não serviu apenas para alimentar uma disputa sobre cinema. Ela foi mobilizada politicamente para reduzir o impacto das revelações sobre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Também houve forte concentração da circulação em poucos publicadores de alto alcance. Os dez posts de melhor desempenho responderam por cerca de 80% das interações analisadas, o que indica uma operação narrativa puxada por perfis e páginas com grande capacidade de amplificação.

Campo bolsonarista tenta transformar denúncia em ataque à imprensa

Nos posts de maior alcance, a defesa de Flávio Bolsonaro aparece combinada a ataques contra a imprensa. A Globo, a esquerda e jornalistas são tratados como parte de uma suposta operação para atingir o senador.

Essa linha permite ao bolsonarismo evitar o centro do caso: a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Em seu lugar, coloca-se uma discussão sobre seletividade, perseguição e suposta hipocrisia de adversários políticos.

A narrativa também busca neutralizar a diferença entre uma informação falsa e fatos confirmados. A negativa dos produtores do documentário de Lula não impediu que a versão continuasse a circular como argumento político.

É esse o mecanismo identificado pela análise DataFórum: uma fake news sobre Lula foi usada como escudo para Flávio Bolsonaro no caso Vorcaro.

O que está comprovado no caso Vorcaro

As revelações originais sobre a negociação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro foram publicadas pelo Intercept Brasil, que informou ter obtido mensagens, áudios e documentos sobre tratativas de R$ 134 milhões para bancar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

Como também mostrou a Fórum, Flávio Bolsonaro admitiu ter buscado recursos privados para o filme sobre o pai depois de negar inicialmente a relação com o banqueiro.

No caso de Michel Temer, a informação disponível trata de uma cota de R$ 1 milhão adquirida por um fundo ligado à família Vorcaro. O dado não autoriza a equivalência feita pela defesa bolsonarista entre Temer, Lula e Bolsonaro.

A disputa, portanto, não é apenas sobre financiamento de filmes. É sobre o uso de uma informação falsa para reorganizar uma crise política e deslocar o foco do elo entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

A Fórum já havia apontado que a publicação de Lauro Jardim foi rapidamente usada por grupos bolsonaristas para tentar diluir o impacto das revelações envolvendo Flávio Bolsonaro e o dono do Banco Master.









Prefeito de Malhador-SE anuncia envio de projeto para aumentar salário dos garis para R$ 3,5 mil

Com o índice de 96,02% dos moradores de Malhador, que aprovam a administração de Assisinho, o prefeito realizou uma pegadinha e  anunciou na...