Com direção de Jr. Aguiar, montagem mistura metateatro e drama histórico para discutir racismo estrutural, privilégio e liberdade. Estreia está marcada para a próxima terça-feira (29), no Teatro Hermilo Borba Filho, no Recife
O Coletivo Grão Comum estreia, na próxima terça-feira (29), no Teatro Hermilo Borba Filho, no Bairro do Recife, seu novo espetáculo Joaquim Nabuco – Do Cativeiro à Consciência, com roteiro e direção de Jr. Aguiar. Misturando metateatro com um drama histórico, a obra teatral revisita a trajetória do abolicionista pernambucano não para consagrá-lo como herói, mas para tensionar suas contradições e provocar reflexões sobre racismo estrutural, privilégio, liberdade e consciência social na contemporaneidade. A sessão está marcada para começar às 19h. Os ingressos custam 80 (inteira) e 40 (meia-entrada), à venda na Sympla.
Ao cruzar realidade e representação, o espetáculo transforma o palco em território de debate, criação e confronto poético, aproximando o público de questões que permanecem urgentes no Brasil de hoje. A encenação propõe uma experiência artística que valoriza o processo investigativo, a construção coletiva e a potência do teatro como espaço de transformação do imaginário social.
“Ao longo da minha pesquisa, aprendi que existem cativeiros que nenhuma lei abole, como o racismo, o privilégio herdado e o silêncio diante da violência. Por isso, o espetáculo não termina quando a luz se apaga. Queremos que a plateia saia do teatro incomodada, mas também mais atenta, com a responsabilidade de se perguntar o que ainda a mantém presa e o que pode fazer para se libertar”, afirma o diretor do espetáculo, que conta com mais de duas décadas de carreira no teatro.
Além de Jr. Aguiar, o elenco reúne Paulo César Freire, Ricardo Andrade, Jefferson Embuá, Eron Villar, Felipe Baobá e Telma Melo. Em cena, surgem figuras como Eufrásia Teixeira Leite, Machado de Assis e os defensores da ordem escravocrata, compondo um mosaico de vozes que expõe as contradições de um Brasil que aboliu a escravidão, mas ainda luta para libertar sua consciência.
Joaquim Nabuco – Do Cativeiro à Consciência dialoga com os outros espetáculos do Coleitvo Grão Comum, como Jardim das Espécies, Urbano e a Trilogia Vermelha, da qual assina a pesquisa, roteiro, direção e atuação ao lado de Márcio Fecher e Daniel Barros. Composta por h(EU)stória – o tempo em transe (2014), sobre Glauber Rocha; pa(Ideia) – Pedagogia da Libertação (2016), sobre Paulo Freire; e pro(FÉ)ta – O Bispo do Povo (2018), sobre Dom Hélder Câmara, a trilogia revisita a memória do país durante a ditadura e foi premiada no Janeiro de Grandes Espetáculos.
“Desde a Trilogia Vermelha, minha pesquisa gira em torno de uma pergunta: que país a nossa memória construiu e quem ficou de fora dele? Depois de Glauber Rocha, Paulo Freire e Dom Hélder, chegar a Joaquim Nabuco é um caminho natural, porque ele nos obriga a olhar para as contradições do próprio pensamento progressista brasileiro. Não queremos julgar um homem do século XIX e sim provocar o público a decidir o que fazer com essa herança”, ressalta Jr. Aguiar.
O figurino e a caracterização são de Telma Melo e Ely Araújo, e o desenho de luz é assinado por Eron Villar e Jr. Aguiar, com operação de Mah Carvalho. A operação de áudio fica a cargo de Moacir Lago (Moa), a fotografia é de Cristiano Freitas dos Santos e a filmagem, de Giandson. Realizada pelo Coletivo Grão Comum, a montagem conta ainda com a colaboração de Ricardo Nunes, Daniel Mendes, Roger Bravo, Arthur Canavarro, Márcio Fecher, Sebastião Simão Filho, do Centro Apolo Hermilo e do Teatro Barreto Jr. A classificação indicativa é 16 anos.
SERVIÇO:
Estreia do espetáculo Joaquim Nabuco – Do Cativeiro à Consciência
Terça-feira (29), às 19h
Teatro Hermilo Borba Filho (Av. Cais do Apolo, 142, Bairro do Recife, Recife, PE)
Ingressos: 80 (inteira) e 40 (meia-entrada)
Classificação indicativa:16 anos
Mais informações: (81) 3355-3321 e no Instagram @joaquim.nabuco.espetaculo
FICHA TÉCNICA
Elenco: Jr. Aguiar, Paulo César Freire, Ricardo Andrade, Jefferson Embuá, Eron Villar, Felipe Baobá e Telma Melo
Idealização, roteiro e direção: Jr. Aguiar
Figurino e caracterização: Telma Melo e Ely Araújo
Desenho de luz: Eron Villar e Jr. Aguiar
Fotografia: Cristiano Freitas dos Santos — @cristiano.authorial
Filmagem: Giandson — @frowfilmes
Operação de luz: Mah Carvalho
Operação de áudio: Moacir Lago (Moa)
Parceiros/colaboradores: Ricardo Nunes, Daniel Mendes, Roger Bravo, Arthur Canavarro, Márcio Fecher, Sebastião Simão Filho, Centro Apolo Hermilo e Teatro Barreto Jr.
Realização: Coletivo Grão Comum

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