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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Semiárido Show 2025 impulsiona inclusão socioprodutiva e debate sobre políticas públicas

Com quatro dias de demonstrações de tecnologias, capacitações e interações entre agricultores, pesquisadores, técnicos e agentes de políticas públicas, a 11ª edição do Semiárido Show foi concluída nesta sexta-feira (29), reforçando o papel do evento como espaço de troca de conhecimentos e debates para políticas públicas. A edição de 2025 contou com público de cerca de 8.000 visitantes de caravanas originárias de 163 municípios brasileiros, que estiveram no espaço destinado ao evento na Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE).

A edição deste ano envolveu mais de 20 unidades da Embrapa e trouxe demonstrações de mais de 100 tecnologias na vitrine da área experimental e no stand da empresa, além de mais de 90 capacitações em formatos diversos. Segundo a pesquisadora Lúcia Helena Kill, chefe-geral da Embrapa Semiárido, esta edição do evento trouxe ao público diferenciais, como a apresentação de equipamentos para agricultura familiar. “Conseguimos trazer, da Embrapa e de parceiros, as pequenas máquinas, para mostrar que é factível mecanizar um pouco o trabalho da agricultura familiar e reduzir a penosidade do trabalho”, destacou ela.

Lúcia ressaltou que o evento, ao permitir debates sobre temas de relevância, como a inclusão socioprodutiva, e abrir espaços para diferentes instituições parceiras, se fortalece como campo para debate de políticas públicas e também mostrar que os resultados dessas políticas já se fazem presentes no campo, por meio de tecnologias e resultados de projetos.

“Um exemplo é o Sal da Terra, tecnologia que já trabalhamos desde a fundação da Embrapa Semiárido e que foi se expandindo até se transformar em projeto de agricultura biossalina, que poderá ser replicado em vários estados do Nordeste”, destacou ela, que também mencionou a contribuição da Embrapa com tecnologias para programas governamentais, como as alternativas de captação de água da chuva para o Programa Cisternas do Governo Federal.

“Apresentamos aqui na vitrine opções, tanto da cisterna circular como da cisterna calçadão, além dos quintais produtivos, que são fontes importantes, não só para segurança hídrica, mas também para segurança alimentar. Em um pomar pode ser produzida uma série de alimentos que o produtor pode comercializar e gerar uma renda extra”, exemplificou a pesquisadora.

Espaço para visitas e negócios

O Semiárido Show de 2025 abriu espaço para públicos diversos, que vieram tanto visitar a feira para ter mais informações sobre tecnologias e práticas agropecuárias, como também para fazer negócios. Gislei Kauane, aluna de Zootecnia da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), afirmou que o evento serve como vitrine para que os estudantes possam conhecer, entre outros temas, alguns dos frutos da região. “A parte que mais achei interessante foi a do estudo do licuri, a gente não tem costume de destrinchar uma coisa que é nossa”, disse a estudante.

Maria Alves Rodrigues, produtora rural de Barra dos Mendes (BA), destaca que teve um rico conhecimento adquirido na área de horticultura e pecuária ao longo do evento “É fantástico, a gente aprende muito. A cada dia aprendemos coisas novas, gosto muito de estar participando”, disse ela. 

O evento trouxe oportunidades para empreendedores, em espaços como a Vila da Economia Solidária. Lá, o produtor rural Dilson Menezes, da Produtos Albatroz, de Itabuna (BA), trouxe derivados de cacau e leite de cabra para comercializar. Ele, que participa da Vila pela quinta vez, afirmou ficar impressionado pela organização do evento. “Nosso Nordeste é muito rico, temos coisas excelentes que deveriam ser conhecidas por todo Brasil. Esse evento deveria ser realizado todos os anos para ter mais visibilidade”, afirmou Dilson.

Mateus Silva, residente de Nordestina (BA), participa pelo segundo ano consecutivo da Vila, com o stand da Rede de Escolas Família Agrícola do Semiárido (Refaisa), e disse que encara o evento como uma oportunidade. “A expectativa é conhecer novas tecnologias para o campo e o agricultor. Quando venho aqui conheço novas possibilidades para o desenvolvimento rural”, afirmou ele.

Debates sobre inclusão socioprodutiva

A inclusão socioprodutiva, tema central da 11ª edição do Semiárido Show, foi também assunto de debate de diversos eventos da programação do Semiárido Show, como o I Seminário Nacional de Inovação Inclusiva, o Seminário do programa InovaSocial (Embrapa/BNDES) e o Seminário da Jornada pelo Clima. Estes espaços serviram como fórum para integração de públicos diversos e discussão sobre políticas governamentais.

Uma das participantes dos debates foi a produtora rural Antonia Alves Souza, a “Dita”, da Cooperativa Agrícola Mista de Pequenos Produtores de Parambu (CE). Beneficiária do InovaSocial, ela destacou a expectativa pela retomada de ações do programa, voltado para a inserção social de agricultores familiares. “A retomada vem fortalecer um projeto da cooperativa e da associação para as cadeias de caprinos e ovinos, com agregação de valor que vai além da porteira. Queremos chegar nos mercados”, disse ela, que integrará projeto coordenado pela Embrapa Caprinos e Ovinos no âmbito do programa.

Thiago Menezes, representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), destacou a oportunidade de participar do Semiárido Show pela primeira vez. “Neste ano, nossa organização completa 80 anos e é de suma importância colaborar com essas tecnologias de desenvolvimento para a agricultura familiar”. A agência coopera com a Redeser, projeto coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que busca combater o processo de desertificação e promover a segurança alimentar e foi um dos casos de políticas públicas apresentados no I Seminário Nacional de Inovação Inclusiva.

Plataformas digitais para interação e conhecimento

Outra novidade do Semiárido Show foi a presença, no stand da Embrapa, de espaço para divulgação e troca de informações sobre plataformas digitais de acesso ao conhecimento: o portal e-Campo, que oferece cursos de capacitação on-line sobre temáticas diversas e a Ater+ Digital, que reúne conteúdos voltados para facilitar os serviços de assistência técnica e extensão rural.

A técnica extensionista Fernanda Freitas, do Instituto de Formação Cidadã São Francisco, (IRSFA), de Manoel Vitorino (BA), relatou que realizou curso sobre mandiocultura na plataforma e-Campo. Segundo ela, a experiência com a formação possibilitou o aperfeiçoamento de seu conhecimento para o serviço de assistência que presta aos agricultores, “O curso é muito didático e dinâmico, a metodologia é muito boa”, elogiou ela, ressaltando também  a simplicidade da plataforma a possibilidade de tirar dúvidas.

Para o pesquisador Evandro Holanda Júnior, gerente-geral de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, essas tecnologias da informação e do conhecimento representam uma alternativa para o desafio da democratização do conhecimento. “Queremos ampliar a presença dessas plataformas com os agentes de ATER, escolas de formação profissional e de família agrícola e com os próprios agricultores, para que essas informações se tornem de uso cada vez mais comum”, ressaltou ele.

Oficina de tinta de solos

O Semiárido Show também abriu espaços para momentos lúdicos. Um deles foi a oficina de tinta de solos que reuniu crianças, adolescentes e adultos ao redor da cisterna experimental na vitrine de tecnologias (foto abaixo). A oficina, conduzida pela pesquisadora Maria Sonia Lopes da Silva, da Embrapa Solos, mobilizou dezenas de pessoas a deixar a marca de suas mãos nas paredes brancas da cisterna, sentindo a textura dos solos.

A tinta é feita a partir de solo e água, que são parte da natureza e fazem parte do cotidiano de todas as pessoas, além da cola, que ajuda a dar liga à tintura e simboliza o elo que une esses dois recursos naturais essenciais à vida.

A oficina de tinta de solos contou com a participação de diversos membros da Aldeia Pankará Riacho Brígida, do município de Orocó (PE). “Nós indígenas somos protetores da natureza, das águas, das árvores. Na nossa aldeia desenvolvemos a agroecologia. O solo é vida, para nós é a Mãe Terra, a Mãe Natureza. Dependemos todos das florestas, e preservadas”, refletiu o cacique Francisco de Assis de Oliveira.

Semiárido Show 

O Semiárido Show é um dos maiores eventos de inovação tecnológica voltados para a agricultura familiar no Nordeste. Realizado a cada dois anos pela Embrapa, com o apoio de diversas instituições, tem como objetivo facilitar o acesso dos produtores rurais do Semiárido a conhecimentos, informações e tecnologias desenvolvidas pela Embrapa e parceiros. Nesta edição, o Semiárido Show conta com a parceria do IRPAA.

Os patrocinadores do evento são: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); Banco do Nordeste; Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene); Companhia Nacional de Abastecimento (Conab); Banco do Brasil; e Governo do Estado da Bahia.






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