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quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Bolsonaro e o medo da democracia

 O fetiche de Bolsonaro pelo 7 de setembro não é novo: nos últimos três anos ele usou a data cívica para fazer discursos (ao vivo ou na TV) inflamados.


Nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro intensificou os acenos que costuma dar ao golpismo em seus discursos: chamou de "cara de pau, sem caráter" juristas, magistrados, ex-ministros do STF, personalidades e mais de 700 mil nomes da sociedade civil que assinam a carta em defesa da democracia da Faculdade de Direito da USP e anunciou — sem ter nada oficializado — uma comemoração do 7 de Setembro em Copacabana, no Rio, para além do tradicional desfile matinal em Brasília. 

O fetiche de Bolsonaro pelo 7 de setembro não é novo: nos últimos três anos ele usou a data cívica para fazer discursos (ao vivo ou na TV) inflamados, mas o que tinha ares personalistas e ufanistas ganhou elementos novos: se por um lado Bolsonaro carregou no tom ao convocar os apoiadores a ir às ruas "pela última vez", sem deixar claro o que isso quer dizer, por outro, deu sinais de que pretende dar ares de comício à parada, já que a Av. Atlântica sempre foi palco das manifestações em apoio ao presidente candidato. 

Na sequência da carta em defesa da democracia, que será lida no dia 11 em um ato na Faculdade de Direito da USP, a Fiesp anunciou para o mesmo dia a leitura de outro manifesto pró-democracia, dessa vez assinado por entidades empresariais, com apoio da Febraban. Na tarde de ontem, Bolsonaro, que deveria ser chamado a assinar a carta como outros candidatos à presidência, mas a rotulou de "política", cancelou sua ida à Fiesp, marcada para o mesmo dia, e cancelou o jantar que teria com o empresariado.

Já não é só mais aos "vermelhos" que o presidente acena sua indisposição democrática: estamos falando da elite do empresariado brasileiro, estamos falando de banqueiros. A preocupação com os rumos antidemocráticos do governo atual, com a raiva sem qualquer embasamento comprovado do sistema eleitoral e com a imprevisibilidade do chefe de Estado já chegou aos setores mais ricos e conservadores do país. 

O Intercept está atento às movimentações autoritárias e golpistas de Jair Bolsonaro desde antes de ele vestir a faixa presidencial. Nossos repórteres acompanham cada jogada do presidente e de sua campanha no tabuleiro eleitoral. Nossos colunistas analisam semanalmente os caminhos do governante e do candidato Bolsonaro. Estivemos no lançamento da candidatura, estaremos de olho no 7 de Setembro. No ano eleitoral mais importante das últimas décadas, estamos atuantes e vigilantes a tudo que Bolsonaro diz e faz.




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