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segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Vocês que fazem parte dessa massa

 Foi numa noite dessas, assistindo na televisão a mais um capítulo da inacreditável e desumana batalha pelas vacinas contra covid-19 para crianças que tive o estalo:

             E se o gado, na verdade, sou eu?
Você certamente já viu piadas pela internet que chamam os eleitores de Bolsonaro de gado. É um jeito de definir uma massa amorfa que segue o "Mito" passivamente, indiferente aos horrores que ele fala ou faz. O rebanho bolsonarista acompanha seu pastor de maneira inabalável, não resta dúvida.

Então me pus a pensar: e o resto, está fazendo o quê? 

Vamos entrar para a história como a geração que viu um homem que despreza a vida fazer de tudo para negar vacinas para crianças e nada fez contra ele. Repita em voz alta e tente acreditar: ele agiu contra vacinas para crianças e continua solto e serelepe andando por aí.

Somos a geração que, anestesiada em frente à TV, ouviu médicos e familiares de doentes contarem que um plano de saúde fez experimentos com idosos em UTI sem qualquer controle e, inclusive, deixou alguns deles sem cuidados para desocupar leitos. Nada aconteceu depois disso. 

Museu Nacional, Ouro Preto, Mariana, Cinemateca, Jacarezinho. O Brasil se acaba em chama, bala e chuva e tudo o que somos capazes de produzir enquanto sociedade são notas de repúdio ou gritaria nas redes sociais.

O gado, essa massa passiva e dócil, somos nós?

Não sei você, mas eu não quero ser gado. É por isso que a missão do Intercept em 2022 é a mais importante da sua história. Não, não vamos tirar Bolsonaro do poder. Quem tira um presidente do poder são os eleitores. 

O nosso papel é analisar cada ângulo desse horror que vivemos e investigar cada escaninho desse governo genocida. Isso pode gerar dois impactos: 

1. ajudar a conscientizar eleitores em todo o país; 
2. contribuir para que Bolsonaro responda por seus atos. 

Talvez você concorde rapidamente com o primeiro impacto, mas desconfie, como tantas pessoas, de que Bolsonaro, seus filhos e os militares pagarão por tudo que fizeram. De fato, essa não é uma tarefa fácil. Mas lembre-se: vivemos a era do improvável. E essa regra não vale apenas para eles. 

Alguém, em 2017, acreditaria que seríamos liderados por um governo fascista que chega ao ponto de negar vacinas para o próprio povo? Por outro lado, após as eleições de 2018, você acreditava que o consenso em torno da Lava Jato seria rompido e, mais, que as condenações do ex-presidente Lula poderiam ser anuladas? 

Muitas vezes o improvável depende de muito trabalho, coragem e perseverança. É esse o tipo de jornalismo que o TIB faz. Jornalismo improvável porque não teme o poder, não é aliado de empresários e vai fundo naquilo que é de interesse público.



                              







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