Afuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, transformou o senador em alvo de uma onda de ridicularização e aprofundou seu isolamento político, inclusive entre aliados. É o que destaca uma reportagem da agência internacional France-Presse (AFP), publicada nesta quinta-feira (29), que repercute a tentativa do filho de Jair Bolsonaro de se autoproclamar líder do Brasil a partir da Flórida.
Sob o título “Flávio Bolsonaro fica isolado e é ridicularizado após se autoexilar”, a AFP descreve uma mistura de deboche, incredulidade e reprovação diante da atitude do candidato derrotado. Depois de deixar o Brasil por uma rota que passou pela Argentina e pelo Equador, apesar de uma ordem judicial para entregar seus passaportes, Flávio divulgou uma carta na qual se apresentava como o “verdadeiro presidente” do país. Minutos depois, alterou o texto para se definir apenas como “líder”.
De candidato derrotado a motivo de piada
A autoproclamação provocou uma enxurrada de ironias nas redes sociais. A AFP destaca que a cantora Anitta entrou na onda ao declarar estar livre de celulite, enquanto um influenciador se apresentou como o “verdadeiro presidente” do Twitter e outra internauta anunciou ter vencido o próximo sorteio da loteria. A Fórum também repercutiu a ironia de Anitta contra a autoproclamação de Flávio Bolsonaro.
O episódio também ganhou contornos inusitados quando um aliado de Bolsonaro atribuiu ao ChatGPT a utilização de um antigo brasão brasileiro, abandonado na década de 1960, em uma das versões da carta. A imprensa brasileira também reagiu: segundo a agência, uma coluna de O Globo comparou Flávio a um “Napoleão de hospício”, enquanto a Folha de S.Paulo classificou a declaração como “patética”.
Até aliados rejeitam atitude de Flávio
O constrangimento chegou ao próprio campo bolsonarista. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou ao Estadão que o resultado das urnas é soberano e precisa ser respeitado. Já Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, reconheceu que não existem provas da fraude eleitoral alegada pelo candidato derrotado.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também se distanciou da iniciativa. Após visitar Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (29), afirmou que “ninguém aprova” a carta divulgada pelo senador e defendeu que o partido siga em frente.
Ouvido pela AFP, o cientista político Geraldo Monteiro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), avaliou que a autoproclamação foi uma tentativa calculada de preservar a influência de Flávio sobre a direita. Entretanto, considera difícil que o senador consiga comandar a oposição do exterior, uma vez que os parlamentares eleitos já não dependem dele. Para o pesquisador, a iniciativa também expõe uma divisão entre os aliados que mantêm fidelidade irrestrita à família Bolsonaro e aqueles que não desejam participar de uma nova aventura golpista.

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