O prazo para que deputados federais troquem de partido sem risco de perda de mandato termina na próxima sexta-feira, 3, e intensifica as articulações políticas em todo o País. A expectativa entre dirigentes partidários é de aceleração das movimentações nos últimos dias, diante da consolidação de alianças e estratégias eleitorais nos estados. Nesse cenário, a semana da Câmara dos Deputados deve ficar esvaziada, com parlamentares concentrados nas bases eleitorais. O Presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), atendeu ao pedido dos líderes e decidiu não realizar sessões ao longo da semana. A medida libera os deputados para negociações e filiações partidárias. Ao menos 52 parlamentares já anunciaram mudança de legenda até o momento.
A movimentação envolve partidos que buscam ampliar ou reorganizar suas bancadas. O PL lidera o número de adesões, incluindo o deputado Alfredo Gaspar (AL), relator da CPMI do INSS. Também migraram do União Brasil para o PL os deputados Coronel Assis (MT), Padovani (PR), Carla Dickson (RN) e Nicoletti (RR). Apesar disso, a sigla registrou a saída de ao menos quatro parlamentares para outras legendas. Já o PSDB filiou pelo menos nove deputados federais, entre eles o ex-ministro Juscelino Filho (MA). Os dados indicam ainda um encolhimento da bancada do União Brasil, que acumula ao menos 14 baixas e duas adesões até agora.
Além da Câmara, o cenário político também registra movimentações no Senado. Na semana passada, o senador Sérgio Moro (PR) deixou o União Brasil e se filiou ao PL, movimento que abre espaço para uma possível disputa ao governo do Paraná. Outro nome em destaque que também troca de partido é o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), cotado para concorrer ao governo de Minas Gerais pelo PSB.
- A janela partidária é aplicada apenas a cargos proporcionais, como deputados e vereadores, e ocorre em anos eleitorais, seis meses antes do pleito. A regra decorre do princípio da fidelidade partidária, que atribui o mandato ao partido. Já cargos majoritários, como presidente da República, governadores, prefeitos e senadores, permitem mudança de legenda a qualquer momento, desde que respeitado o prazo mínimo de filiação antes da eleição.

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